Banda Desenhada dos PALOP conquista espaço na Europa durante a Feira do Livro de Bruxelas
A banda desenhada africana de língua portuguesa teve uma presença histórica na 55.ª edição da Feira do Livro de Bruxelas, destacando-se no pavilhão de Moçambique. O projeto BDPALOP, coordenado pela ANIMA Estúdio Criativo, foi apresentado ao mercado editorial europeu, coroando anos de trabalho estrutural financiado pelo programa PROCULTURA.
Com o lema “Challenging the Future”, a participação do BDPALOP foi muito mais do que uma vitrine literária: representou um momento de diplomacia cultural e de validação internacional para criadores emergentes. O pavilhão moçambicano serviu como plataforma para mostrar como estruturas locais podem funcionar como pontes essenciais entre talentos regionais e oportunidades globais.
Um ecossistema criativo em expansão

A presença em Bruxelas não foi um ato isolado, mas o resultado de uma estratégia sustentada de capacitação. O projeto BDPALOP, que apoia duplas criativas de argumentistas e ilustradores de Moçambique, Angola e Cabo Verde, apresentou números que comprovam a sua eficácia e maturidade.
Através de um concurso anual que atribui bolsas de criação, o projeto já envolveu 54 bolseiros, resultando num catálogo de 27 obras publicadas. O alcance destas publicações ultrapassou as fronteiras dos países de origem, com mais de 21 mil exemplares distribuídos nos PALOP, bem como em Portugal e no Brasil.
Na capital europeia, os visitantes tiveram a oportunidade de contactar com edições em língua portuguesa e versões traduzidas para francês, o que significa uma clara aposta na internacionalização e na circulação transfronteiriça de narrativas africanas.
O papel da ANIMA e a visão de futuro

Fábio Ribeiro e João Roxo, representantes da curadoria da ANIMA no evento, sublinharam a importância deste marco. A participação na Feira do Livro de Bruxelas proporcionou encontros decisivos com editores da “francofonia” (incluindo França, Suíça, Luxemburgo e Quebec), bem como com os seus homólogos belgas. Estes momentos de intercâmbio são considerados determinantes para a sustentabilidade económica e para a internacionalização contínua do setor.
A visão transmitida pela curadoria defende que a criação literária pode e deve ser, simultaneamente, um ato de afirmação identitária e uma atividade económica viável. O sucesso da BDPALOP ilustra perfeitamente este duplo objetivo, transformando o talento local num produto cultural competitivo à escala global.
O programa PROCULTURA, financiado pela União Europeia e gerido pelo Camões — Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, encerra assim um ciclo de seis anos com provas dadas. A afirmação da BDPALOP na Feira do Livro de Bruxelas demonstra que as narrativas africanas lusófonas não têm fronteiras e estão prontas para conquistar novos leitores no panorama editorial internacional.
