Maputo Abre Ciclo de Lançamentos da Terceira Colecção da Bdpalop em Três Países
A capital moçambicana acolheu ontem, no Estúdio Criativo Anima, o lançamento da terceira colecção da BDPALOP – Banda Desenhada nos PALOP. O evento contou com a participação de autores moçambicanos e a apresentação das nove obras vencedoras da iniciativa, incluindo trabalhos de Angola e Cabo Verde.
As obras moçambicanas apresentadas foram Niara, de Helder Mendes e Halima Essá; Tecnomagia: A Resistência dos Khossa, de Valia Mussoco e Etelvina Helena; e Umbulandi: O Despertar dos Poderes, de Sancho Guambe e Andressa Jornal. Angola esteve representada por Mafuta e a Melodia Esquecida, de Lopes José e Cremilda Fula; Kianda – Histórias do Mar, de Luís Mateus e Maura Maria; e Afro-Armagedom, de Osvaldo Neto e Justina Makava. Já de Cabo Verde chegaram Dracaena Draco, de Gilda Barros e Erickson Fortes; Pidrim, de Gilardi Fortes e Christy Reis; e A Família Glé, de Merly Tavares e Cheila Delgado.
O evento abriu com uma mesa-redonda sobre o ecossistema da banda desenhada nos PALOP, que contou com a presença de Odair Varela, coordenador da BDPALOP em Cabo Verde, de Fábio Ribeiro, coordenador-geral da iniciativa, do ilustrador Hélio Pene, da autora Eliana Nzualo e da guionista Halima Essá.
“Não só trazemos produtos bonitos, mas também pessoas mais bem formadas tanto no argumento quanto na ilustração”, afirmou Odair Varela, destacando o impacto formativo da iniciativa. Halima Essá sublinhou o desafio e o prazer de escrever para banda desenhada após anos de trabalho em animação. Para Fábio Ribeiro, o momento representou “um dia muito especial”, lembrando que a BDPALOP nasceu com a ambição de procurar soluções para o desenvolvimento do ecossistema da BD africana.
Durante os debates, destacou-se ainda que a BDPALOP representa uma oportunidade para ampliar a literacia visual e narrativa, criar intercâmbios entre países, formar novos quadros técnicos e consolidar uma cadeia de valor capaz de ligar autores, leitores e mercados. Foram também apontadas possibilidades de adaptação das obras para a animação, bem como o potencial de atrair novos públicos através da junção entre imagem e narrativa.
Os discursos institucionais reforçaram a relevância da iniciativa. Representantes da União Europeia, do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC) e do Ministério da Educação e Cultura sublinharam a importância da banda desenhada como um espaço de memória, identidade e educação, além do seu papel na geração de emprego e na dinamização das indústrias culturais.
Na ocasião, Fábio Ribeiro anunciou o Plano BDPALOP 2030, que prevê a expansão do projecto para países como Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. O coordenador apresentou ainda o balanço dos últimos três anos: a publicação de 21 mil exemplares, a venda de 4 mil livros das duas primeiras colecções, a presença em mais de 50 pontos de venda em três continentes e a participação em festivais internacionais.
O lançamento culminou com a apresentação das obras moçambicanas pelos seus autores, que partilharam com o público os percursos criativos e o impacto da BDPALOP nas suas carreiras.
A BDPALOP é beneficiária do fundo PROCULTURA-PALOP-TL, financiado pela União Europeia e cofinanciado e gerido pelo Instituto Camões, I.P. Após o lançamento em Maputo, a colecção segue para Luanda, no dia 26 de Setembro, e Praia, no dia 27 de Setembro, reforçando a circulação das obras e a visibilidade dos seus criadores.





